sexta-feira, 30 de julho de 2010

MUDE PARA A VÍRGULA

- Quero vender-lhe uma vírgula.
- Uma vírgula? – perguntei eu, pasmo. E ele completou:
- Sim, uma vírgula para que continue a escrever seus textos, pois um homem sem vírgulas é um homem sem história.
A partir deste momento, meus olhos se abriram. Descobri que sempre usara a teoria dos pontos finais em minha história e não a teoria das vírgulas. Alguém me frustrará? Eliminava-o, colocava um ponto final no relacionamento. Alguém me feria? Anulava-o. Enfrentava um obstáculo? Mudava de trajetória. Meu projeto estava com problemas? Substituía-o. Sofria uma perda? Virava as costas.
[...]Quem elimina todos ao seu redor um dia será implacável consigo mesmo. E esse dia chegara. Mas felizmente encontrei esse enigmático homem e entendo que é possível conviver, sem vírgulas, com cachorros, gatos e até com cobras, mas não com humanos. Frustrações, decepções, traições, injúrias, conflitos fazem parte do nosso cardápio existencial, pelo menos do meu e de quem conheço. E as vírgulas são imprescindíveis.

 O vendedor de sonhos. Augusto Cury. p. 25

By M.N.M.


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